Primeiro porco clonado no Brasil é eutanasiado e será preservado no Museu de Zoologia da USP
- Vet News
- 10 de ago.
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O primeiro porco clonado no Brasil teve sua participação na pesquisa científica encerrada após quase quatro meses de vida. O animal foi eutanasiado no final de julho, como parte do protocolo do estudo desenvolvido por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), e deverá ser preservado para exposição no Museu de Zoologia da instituição, em São Paulo.
A informação foi confirmada no sábado (8) pelo pesquisador Ernesto Goulart, professor do Instituto de Biociências da USP e um dos responsáveis pelo projeto. Segundo ele, o suíno apresentava boas condições de saúde e havia cumprido os objetivos estabelecidos para a primeira etapa do trabalho.
A eutanásia já estava prevista no planejamento científico, mas acabou sendo antecipada em aproximadamente dois meses devido às dificuldades financeiras enfrentadas pelo projeto. De acordo com Goulart, a antecipação não comprometeu os resultados obtidos.
Animal foi acompanhado durante o desenvolvimento
O suíno nasceu no Instituto de Zootecnia da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (IZ-Apta), em Piracicaba, no interior de São Paulo. Posteriormente, foi transferido para instalações da USP na capital paulista.
Durante o período de acompanhamento, os pesquisadores avaliaram aspectos relacionados à saúde e ao desenvolvimento do animal. Entre os objetivos estava verificar se o clone apresentaria crescimento adequado e chegaria à maturidade sexual.
De acordo com o pesquisador, o animal era considerado saudável e atingiu os parâmetros previstos para essa fase da investigação.
O nascimento do suíno havia sido anunciado em março deste ano e representou um marco para a pesquisa brasileira. Após quase seis anos de tentativas, a equipe conseguiu dominar a técnica de clonagem de suínos, considerada particularmente complexa.
Exemplar será preservado para exposição
Após a morte, o animal será submetido à taxidermia, técnica utilizada para preservar a aparência externa de animais para fins científicos, educativos e museológicos.
A intenção dos pesquisadores é que o exemplar seja incorporado ao acervo do Museu de Zoologia da USP. Dessa forma, o primeiro porco clonado no país deverá permanecer como registro físico de uma etapa considerada histórica para a ciência brasileira.
A equipe também conseguiu produzir um segundo clone. Nesse caso, porém, o animal morreu um dia após o nascimento, dentro dos desafios associados à própria técnica de clonagem.
Clonagem é apenas uma etapa do projeto
A criação do primeiro clone não representa, por si só, a conclusão do projeto. A clonagem foi utilizada como uma etapa necessária para que os pesquisadores pudessem avançar na produção de suínos geneticamente modificados.
O objetivo final da pesquisa é desenvolver animais capazes de fornecer órgãos para transplantes em seres humanos, área conhecida como xenotransplante.
Os suínos são considerados candidatos promissores para esse tipo de pesquisa devido às semelhanças anatômicas e fisiológicas de seus órgãos com os humanos. Entre os órgãos estudados para futuras aplicações estão rins, coração e outros tecidos.
Para reduzir a possibilidade de rejeição pelo organismo humano, a próxima fase envolve a utilização de técnicas de edição genética. A expectativa é desenvolver animais cujos órgãos possam, no futuro, ser utilizados em transplantes.
Pesquisa enfrenta dificuldades financeiras
Apesar do avanço científico, o projeto enfrenta problemas relacionados ao financiamento. Segundo os pesquisadores, o congelamento de parte dos recursos federais prejudicou a manutenção da infraestrutura e da equipe envolvida no trabalho.
No início de 2026, o grupo reunia cerca de 40 profissionais, incluindo pesquisadores com formação acadêmica avançada. A redução dos recursos levou ao desligamento de parte da equipe.
O Ministério da Saúde informou que o projeto integra o Programa Genomas Brasil e que já foram liberados R$ 6,15 milhões de um total aprovado de R$ 11,6 milhões. Segundo a pasta, os repasses seguem critérios relacionados ao cumprimento de metas, prestação de contas e disponibilidade orçamentária.
Mesmo diante das dificuldades, os pesquisadores pretendem avançar para a próxima fase do estudo assim que houver condições para a continuidade do trabalho.
O projeto foi idealizado pelo cirurgião e professor da USP Silvano Raia, que morreu em abril deste ano. A pesquisa reúne diferentes instituições e busca desenvolver no Brasil uma tecnologia própria para o futuro uso de órgãos suínos em transplantes.
Um marco que agora também fará parte da história da ciência
O primeiro porco clonado brasileiro não chegou à etapa de fornecer órgãos para transplantes. Sua contribuição ocorreu em uma fase anterior e fundamental: demonstrar que a equipe brasileira era capaz de realizar a clonagem de suínos e acompanhar o desenvolvimento de um animal produzido por essa técnica.
Agora, após a taxidermia, o exemplar deverá deixar o ambiente de pesquisa e passar a integrar o acervo do Museu de Zoologia da USP, onde poderá ser visto como registro de um dos primeiros passos da pesquisa brasileira em direção ao xenotransplante.
Fonte principal: Jornal O Sul — matéria sobre a eutanásia e preservação do animal
Fonte complementar: Sou Agro — informações sobre a pesquisa e a etapa de clonagem



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