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Falta de animais de reposição preocupa pecuaristas no norte do Mato Grosso

A escassez de animais de reposição tem se tornado um dos principais pontos de preocupação para pecuaristas do norte de Mato Grosso. O cenário, confirmado por entidades do setor e dados recentes do mercado, indica dificuldade crescente na recomposição dos rebanhos e possível impacto no ciclo produtivo da pecuária regional.



Mercado pressionado por baixa oferta de bezerros


A região, uma das mais importantes fronteiras da pecuária brasileira, enfrenta redução na disponibilidade de bezerros e animais jovens destinados à recria e engorda. Segundo a Associação dos Criadores do Norte de Mato Grosso (ACRINORTE), a falta de reposição tem comprometido o planejamento das propriedades e gerado insegurança no médio prazo.

O presidente da entidade, Moisés Debastiani, destaca que o mercado vinha de uma recuperação no preço da arroba do boi gordo, mas agora enfrenta um novo gargalo estrutural: a baixa oferta de animais para reposição.

“Saímos de um cenário de arroba abaixo ou próxima de R$ 200 e voltamos a patamares próximos de R$ 300 ou mais, mas a falta de reposição exige atenção e planejamento dos produtores”, afirmou em entrevista ao setor.



Alta do bezerro e desequilíbrio do ciclo pecuário


Dados recentes mostram que o problema não é isolado de Mato Grosso. O preço do bezerro atingiu patamares superiores a R$ 3.000 por cabeça em diversas regiões do país, refletindo uma combinação de baixa oferta e demanda aquecida.

Em Mato Grosso e outras praças, a valorização da categoria de reposição supera o ritmo de alta do boi gordo, ampliando o chamado “ágio da reposição” e reduzindo a relação de troca para o produtor, segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA)  .

Em março de 2026, o bezerro chegou a médias acima de R$ 3.200 em algumas regiões, representando valorização superior a 20% em 12 meses.


Abate de fêmeas reduz oferta futura


Especialistas apontam que o atual desequilíbrio é consequência direta do aumento do abate de fêmeas nos últimos anos, o que reduz a capacidade de reposição natural do rebanho.

Somente em Mato Grosso, milhões de fêmeas foram enviadas ao abate em 2025, em um dos maiores volumes já registrados, afetando diretamente a produção de bezerros para os ciclos seguintes  .

Esse movimento encurta a oferta futura de animais jovens e contribui para o atual aperto no mercado de reposição.



Reflexos na cadeia produtiva


Com menos animais disponíveis, pecuaristas relatam dificuldade para manter o ritmo de engorda e reposição de lotes. Isso pode levar a:

  • ociosidade de estrutura produtiva nas fazendas

  • aumento do custo de produção

  • maior volatilidade na formação de preços da arroba

  • necessidade de planejamento mais longo do ciclo pecuário

Além disso, frigoríficos também acompanham o cenário com atenção, já que a oferta limitada pode impactar o volume de abates nos próximos meses.



Perspectiva para 2026


A expectativa de analistas do setor é de que o mercado de reposição permaneça pressionado ao longo de 2026, já que o ciclo pecuário bovino leva tempo para reagir a mudanças de oferta.

Sem aumento consistente na produção de bezerros, o setor deve continuar enfrentando preços elevados e disputa por animais jovens, especialmente nas regiões de expansão como o norte de Mato Grosso.

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