Falta de animais de reposição preocupa pecuaristas no norte do Mato Grosso
- Vet News
- 22 de abr.
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A escassez de animais de reposição tem se tornado um dos principais pontos de preocupação para pecuaristas do norte de Mato Grosso. O cenário, confirmado por entidades do setor e dados recentes do mercado, indica dificuldade crescente na recomposição dos rebanhos e possível impacto no ciclo produtivo da pecuária regional.
Mercado pressionado por baixa oferta de bezerros
A região, uma das mais importantes fronteiras da pecuária brasileira, enfrenta redução na disponibilidade de bezerros e animais jovens destinados à recria e engorda. Segundo a Associação dos Criadores do Norte de Mato Grosso (ACRINORTE), a falta de reposição tem comprometido o planejamento das propriedades e gerado insegurança no médio prazo.
O presidente da entidade, Moisés Debastiani, destaca que o mercado vinha de uma recuperação no preço da arroba do boi gordo, mas agora enfrenta um novo gargalo estrutural: a baixa oferta de animais para reposição.
“Saímos de um cenário de arroba abaixo ou próxima de R$ 200 e voltamos a patamares próximos de R$ 300 ou mais, mas a falta de reposição exige atenção e planejamento dos produtores”, afirmou em entrevista ao setor.
Alta do bezerro e desequilíbrio do ciclo pecuário
Dados recentes mostram que o problema não é isolado de Mato Grosso. O preço do bezerro atingiu patamares superiores a R$ 3.000 por cabeça em diversas regiões do país, refletindo uma combinação de baixa oferta e demanda aquecida.
Em Mato Grosso e outras praças, a valorização da categoria de reposição supera o ritmo de alta do boi gordo, ampliando o chamado “ágio da reposição” e reduzindo a relação de troca para o produtor, segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA) .
Em março de 2026, o bezerro chegou a médias acima de R$ 3.200 em algumas regiões, representando valorização superior a 20% em 12 meses.
Abate de fêmeas reduz oferta futura
Especialistas apontam que o atual desequilíbrio é consequência direta do aumento do abate de fêmeas nos últimos anos, o que reduz a capacidade de reposição natural do rebanho.
Somente em Mato Grosso, milhões de fêmeas foram enviadas ao abate em 2025, em um dos maiores volumes já registrados, afetando diretamente a produção de bezerros para os ciclos seguintes .
Esse movimento encurta a oferta futura de animais jovens e contribui para o atual aperto no mercado de reposição.
Reflexos na cadeia produtiva
Com menos animais disponíveis, pecuaristas relatam dificuldade para manter o ritmo de engorda e reposição de lotes. Isso pode levar a:
ociosidade de estrutura produtiva nas fazendas
aumento do custo de produção
maior volatilidade na formação de preços da arroba
necessidade de planejamento mais longo do ciclo pecuário
Além disso, frigoríficos também acompanham o cenário com atenção, já que a oferta limitada pode impactar o volume de abates nos próximos meses.
Perspectiva para 2026
A expectativa de analistas do setor é de que o mercado de reposição permaneça pressionado ao longo de 2026, já que o ciclo pecuário bovino leva tempo para reagir a mudanças de oferta.
Sem aumento consistente na produção de bezerros, o setor deve continuar enfrentando preços elevados e disputa por animais jovens, especialmente nas regiões de expansão como o norte de Mato Grosso.



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