Caranguejo: estudo identifica origem única da locomoção lateral e esclarece evolução do grupo
- Vet News
- 23 de abr.
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Um estudo publicado em abril de 2026 na revista científica eLife identificou que a locomoção lateral dos caranguejos — uma das características mais marcantes desses crustáceos — teve origem única ao longo da evolução, há aproximadamente 200 milhões de anos. A descoberta contraria hipóteses anteriores que sugeriam múltiplas origens independentes para esse padrão de movimento.
A pesquisa analisou o comportamento locomotor de 50 espécies de caranguejos em condições experimentais controladas, com o objetivo de comparar padrões de deslocamento. Paralelamente, os autores realizaram uma análise filogenética abrangente, baseada em sequências de 10 genes de 344 espécies, permitindo reconstruir a história evolutiva do grupo com maior precisão.
Os resultados indicam que a maioria das espécies avaliadas apresenta locomoção predominantemente lateral, enquanto uma parcela menor ainda mantém deslocamento frontal. A distribuição desses comportamentos ao longo da árvore evolutiva sugere que a transição para a marcha lateral ocorreu uma única vez em um ancestral comum dos chamados caranguejos verdadeiros.
Esse grupo, classificado na infraordem Brachyura, reúne cerca de 7.900 espécies descritas e representa o clado mais diverso entre os crustáceos decápodes. Em comparação, grupos relacionados, como os anomuros, apresentam menor diversidade e incluem organismos com morfologia semelhante, mas com diferenças estruturais e funcionais relevantes.
Do ponto de vista biomecânico, a locomoção lateral está associada à orientação das articulações dos apêndices locomotores, que favorecem movimentos mais eficientes nesse eixo. Segundo os autores, essa configuração permite maior agilidade e rapidez em respostas comportamentais, especialmente em situações de fuga. Além disso, o deslocamento lateral pode aumentar a imprevisibilidade do movimento, reduzindo a eficiência de predadores.
O estudo também dialoga com o conceito de carcinização, processo no qual diferentes linhagens de crustáceos evoluem independentemente para uma morfologia semelhante à dos caranguejos. No entanto, os dados indicam que, enquanto a forma corporal pode surgir de maneira convergente, a locomoção lateral não seguiu o mesmo padrão, sendo um evento evolutivo singular.
Os autores destacam que a adoção desse tipo de locomoção pode ter desempenhado papel determinante no sucesso ecológico dos caranguejos, grupo que atualmente ocupa uma ampla variedade de habitats, incluindo ambientes marinhos, dulcícolas e terrestres. Fatores macroevolutivos, como eventos de extinção e oportunidades ecológicas, também são apontados como elementos que contribuíram para a diversificação do grupo ao longo do tempo.
A pesquisa reforça a importância de integrar dados comportamentais e genéticos na compreensão de padrões evolutivos complexos, oferecendo uma explicação robusta para uma característica amplamente observada, mas até então não totalmente compreendida na biologia dos caranguejos.



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