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Caso Clínico - Emergência em cães

Relato de caso clínico descreve conduta diagnóstica e intervenção cirúrgica em trauma torácico penetrante com evolução clínica satisfatória.




Um relato de caso publicado na Medvep – Revista Científica de Medicina Veterinária descreve o manejo de um cão diagnosticado com pneumotórax aberto associado a hemotórax após trauma torácico penetrante causado por mordedura. A abordagem inicial conservadora mostrou-se insuficiente para restaurar a pressão negativa intratorácica e estabilizar o quadro clínico, sendo indicada toracotomia exploratória de emergência com lobectomia pulmonar total. A evolução pós-operatória foi considerada satisfatória.



CONTEXTUALIZAÇÃO CLÍNICA


O pneumotórax aberto ocorre quando há comunicação direta entre o ambiente externo e o espaço pleural, comprometendo a pressão negativa necessária para a expansão pulmonar. Em situações traumáticas, pode estar associado ao hemotórax, caracterizado pela presença de sangue na cavidade pleural.


A combinação dessas duas condições representa emergência médica, pois compromete simultaneamente ventilação e perfusão, podendo evoluir rapidamente para hipóxia grave, choque hipovolêmico e parada cardiorrespiratória se não houver intervenção imediata.



ANAMNESE


O paciente era um cão sem raça definida, macho, quatro anos de idade, pesando aproximadamente 10 kg. O tutor relatou episódio recente de agressão por outros cães, com múltiplas mordeduras na região torácica.


Na admissão, o animal apresentava:

• Dispneia intensa

• Taquipneia marcada

• Cianose de mucosas

• Letargia

• Ferimento penetrante na parede torácica esquerda com saída de sangue espumoso


A presença de sangue aerado pelo ferimento sugeria comprometimento pulmonar direto.



EXAME FÍSICO E ACHADOS COMPLEMENTARES


A avaliação inicial revelou saturação periférica de oxigênio reduzida e padrão respiratório superficial. À auscultação torácica, observou-se diminuição dos sons pulmonares no hemitórax esquerdo.


As primeiras intervenções incluíram:

• Oxigenioterapia imediata

• Sedação leve para reduzir esforço respiratório

• Oclusão temporária do ferimento torácico com curativo estéril

• Fluidoterapia intravenosa para suporte hemodinâmico


Foi realizada toracocentese bilateral, com remoção de ar e sangue do espaço pleural, proporcionando melhora transitória do padrão respiratório. No entanto, a instabilidade ventilatória persistiu, indicando vazamento aéreo contínuo.




DIAGNÓSTICO
DIAGNÓSTICO

O diagnóstico foi estabelecido com base na associação de:

• Histórico de trauma penetrante

• Evidência clínica de pneumotórax aberto

• Presença de hemotórax confirmado por toracocentese

• Persistência de comprometimento ventilatório apesar da drenagem


A falha em restabelecer pressão negativa intratorácica sustentada indicou que a terapia conservadora isolada era insuficiente.



INDICAÇÃO CIRÚRGICA


Diante da deterioração clínica progressiva, optou-se por toracotomia exploratória emergencial. A decisão foi fundamentada em três fatores principais:

1. Vazamento aéreo persistente

2. Hemorragia intratorácica ativa

3. Instabilidade respiratória refratária


A intervenção precoce é considerada decisiva nesses casos para evitar hipóxia prolongada e agravamento sistêmico.




PROCEDIMENTO CIRÚRGICO


Durante a toracotomia intercostal esquerda, observou-se extensa laceração do lobo pulmonar diafragmático esquerdo, com comprometimento significativo do parênquima pulmonar.


Devido à extensão da lesão e impossibilidade de reparo conservador, foi realizada lobectomia pulmonar total do lobo afetado. A remoção do tecido lesionado permitiu:

• Controle definitivo do vazamento aéreo

• Controle da hemorragia

• Restauração da pressão negativa pleural


Ao término do procedimento, foi instalado dreno torácico para evacuação contínua de ar e fluidos no pós-operatório.



MANEJO PÓS-OPERATÓRIO


O paciente foi mantido sob monitorização intensiva nas primeiras 24 horas, incluindo:

• Avaliação seriada da oximetria

• Controle da drenagem torácica

• Monitorização da pressão arterial

• Analgesia multimodal

• Antibioticoterapia de amplo espectro


Nas primeiras horas após o procedimento, houve melhora significativa da ventilação e normalização progressiva da saturação de oxigênio.


A alimentação espontânea retornou ainda no primeiro dia pós-cirúrgico, indicando recuperação clínica favorável.



EVOLUÇÃO E DESFECHO


O dreno torácico foi removido após cessação do vazamento aéreo e estabilização respiratória. Durante cinco dias de internação, não foram observadas complicações como infecção pleural, recidiva de pneumotórax ou instabilidade hemodinâmica.


O paciente recebeu alta hospitalar com orientações para restrição de atividade física e acompanhamento ambulatorial.


O desfecho clínico foi considerado satisfatório dentro do período documentado.



DISCUSSÃO


O caso reforça que, embora o manejo conservador seja inicialmente indicado em muitos quadros de pneumotórax traumático, a persistência de instabilidade ventilatória deve levar à reavaliação rápida da conduta.


A lobectomia pulmonar, quando indicada, pode representar procedimento salvador, sobretudo em lesões extensas com comprometimento estrutural irreversível do parênquima pulmonar.


O reconhecimento precoce da falha terapêutica conservadora é determinante para o prognóstico.



APRENDIZADO CLÍNICO


Em pneumotórax aberto associado a hemotórax secundário a trauma penetrante:

• A estabilização inicial é prioritária

• A toracocentese pode ser medida temporária

• A persistência de vazamento aéreo exige intervenção cirúrgica

• A lobectomia pode ser necessária em lesões pulmonares extensas


A tomada de decisão baseada na evolução clínica é essencial para reduzir mortalidade.



PALAVRAS-CHAVE


pneumotórax aberto; hemotórax; toracotomia exploratória; lobectomia pulmonar; trauma torácico; cirurgia torácica veterinária; emergência respiratória.




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