top of page

Caso clínico: Desvio portossistêmico intra-hepático em cão jovem

Relatos clínicos completos com tomografia computadorizada, ultrassonografia e exames laboratoriais, destacando o raciocínio diagnóstico, os achados de imagem e a conduta terapêutica baseada em evidências.


Identificação do paciente:


  • Espécie: Canina

  • Raça: Golden Retriever

  • Sexo: Macho

  • dade: 6 meses

  • Peso: 14 kg


Queixa principal:


Tutor relatou episódios recorrentes de:

  • Apatia

  • Desorientação

  • Sialorreia

  • Pressão da cabeça contra objetos (head pressing)

  • Crises convulsivas esporádicas, principalmente após alimentação


Havia histórico de baixo ganho de peso em comparação aos irmãos da ninhada.



Exame clínico:


Durante avaliação física:

  • Escore corporal abaixo do ideal

  • Leve depressão do nível de consciência

  • Temperatura, frequência cardíaca e respiratória dentro da normalidade

  • Sem dor abdominal evidente

  • Ausência de sopros cardíacos


Sinais neurológicos intermitentes levantaram suspeita de encefalopatia hepática.



Exames laboratoriais:


Hemograma:

  • Dentro da normalidade


Bioquímica sérica:

  • ALT discretamente aumentada

  • FA normal

  • Hipoalbuminemia leve

  • Ureia diminuída

  • Colesterol diminuído


Teste de ácidos biliares:

  • Valores significativamente elevados (pré e pós-prandial)


Amônia plasmática:

  • Aumentada


Hipótese principal: Desvio portossistêmico congênito.



Exames de imagem:


Ultrassonografia abdominal:

  • Fígado reduzido de tamanho (micro-hepatia)

  • Dificuldade em visualizar claramente a vascularização portal

  • Suspeita de comunicação vascular anômala


Diante da limitação ultrassonográfica, optou-se por exame avançado.



Tomografia Computadorizada (TC) com contraste:


Realizada angiografia por TC:



Achados tomográficos:

  • Fígado com volume reduzido

  • Veia porta de calibre diminuído

  • Presença de vaso anômalo originando-se da veia porta e comunicando-se diretamente com a veia cava caudal

  • Trajeto intra-hepático compatível com desvio portossistêmico intra-hepático congênito

  • Ausência de múltiplas comunicações vasculares (descartando shunt adquirido)


A TC permitiu:

• Identificação precisa da origem e inserção do vaso anômalo

• Classificação do desvio

• Planejamento cirúrgico detalhado



Diagnóstico definitivo:


Desvio portossistêmico intra-hepático congênito único



Conduta terapêutica:


Estabilização clínica pré-operatória:

  • Dieta hipoproteica

  • Lactulose

  • Antibiótico intestinal (metronidazol)

  • Controle de crises convulsivas


Após estabilização metabólica, foi indicado tratamento cirúrgico.



Procedimento cirúrgico:


Com base no mapeamento vascular obtido pela tomografia:

  • Identificação precisa do vaso anômalo

  • Aplicação de constritor ameroide para oclusão gradual

  • Monitoramento intraoperatório da pressão portal


Sem complicações imediatas.



Evolução pós-operatória:


Primeiras 72 horas:

  • Estabilidade hemodinâmica

  • Ausência de crises convulsivas

  • Melhora progressiva do estado mental


30 dias pós-cirurgia:

  • Ganho de peso significativo

  • Normalização parcial dos parâmetros laboratoriais

  • Redução expressiva de ácidos biliares


90 dias:

  • Ausência de sinais neurológicos

  • Qualidade de vida restabelecida



Discussão


O desvio portossistêmico congênito é uma anomalia vascular que permite que o sangue portal desvie do fígado, impedindo metabolismo adequado de toxinas.


Pontos-chave do caso:


  • Sinais neurológicos pós-prandiais em animal jovem

  • Micro-hepatia em exames de imagem

  • Ácidos biliares elevados

  • Confirmação e mapeamento vascular por TC


A tomografia computadorizada contrastada foi decisiva para:

  • Diferenciar desvio intra-hepático de extra-hepático

  • Planejar abordagem cirúrgica

  • Reduzir riscos intraoperatórios



Relevância clínica:


Este caso reforça que:

  • A ultrassonografia é excelente exame de triagem, mas pode ser limitada.

  • A tomografia é padrão-ouro para mapeamento vascular em shunts complexos.

  • O diagnóstico precoce melhora significativamente o prognóstico.



Fontes:

Imagens de tomografia computadorizada de casos de desvio portossistêmico em cães estão disponíveis em:

• VetRad – exemplo de shunt intra-hepático com imagens de CTA (tomografia computadorizada com contraste) — vetrad.de 

• Repositório UFSC — PDF com relato de caso detalhado com TC e ultrassom — repositorio.ufsc.br 

• Animal Imaging – estudo de caso com imagens de TC — animalimaging.net 

• MDPI – figuras ilustrativas de TC em portosystemic shunts em pequenos animais — mdpi.com 

Comentários


bottom of page