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Risco a saúde: Amostras de vírus furtados na UNICAMP estavam em laboratório de alta biossegurança

Um caso grave envolvendo segurança biológica e saúde pública está sendo investigado após o furto de amostras virais de um laboratório da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em São Paulo.


As amostras estavam armazenadas em um ambiente classificado como nível de biossegurança 3 (NB-3) — atualmente o mais alto disponível no Brasil para manipulação de agentes infecciosos. Esse tipo de estrutura é utilizado para estudos com microrganismos que podem causar doenças graves e que apresentam risco significativo de transmissão, especialmente por via aérea.



O que aconteceu:


A investigação teve início após o desaparecimento de amostras virais no dia 13 de fevereiro de 2026, em um laboratório de virologia do Instituto de Biologia da universidade.


A principal suspeita é a professora e pesquisadora Soledad Palameta Miller, que foi presa em flagrante após a Polícia Federal localizar o material dentro de outros laboratórios da própria instituição.


Segundo as autoridades, o material foi retirado de uma área de alta contenção e redistribuído de forma irregular em diferentes locais, incluindo freezers de outros setores e até recipientes descartados de maneira inadequada.



Riscos à saúde pública:


De acordo com a decisão judicial, a forma como as amostras foram manipuladas representou risco direto à saúde de terceiros.


Entre as irregularidades apontadas estão:


  • Armazenamento fora de ambientes controlados

  • Manipulação sem protocolos de biossegurança

  • Descarte de material biológico em lixo comum


Essas ações podem ter exposto pessoas a agentes infecciosos potencialmente perigosos.



Sobre o nível NB-3


Laboratórios NB-3 são destinados ao estudo de microrganismos com:


  • Alto risco de infecção individual

  • Potencial de causar doenças graves ou fatais

  • Possibilidade de transmissão por aerossóis


Apesar de existirem medidas de prevenção e tratamento, esses agentes exigem controle rigoroso. No Brasil, ainda não há laboratórios NB-4 em operação — o nível máximo mundial — embora uma unidade esteja em construção em Campinas.



Situação da investigada


A professora foi autuada por crimes como:


  • Exposição da vida ou saúde de terceiros a perigo

  • Transporte irregular de organismo geneticamente modificado

  • Fraude processual


Após a prisão, ela foi liberada mediante medidas cautelares, incluindo:


  • Proibição de acesso aos laboratórios

  • Restrição de deslocamento

  • Comparecimento periódico à Justiça



Medidas adotadas


A Unicamp informou que:


  • Abriu investigação interna (sindicância)

  • Colabora com a Polícia Federal e órgãos regulatórios

  • Interditou temporariamente laboratórios envolvidos


O material biológico recuperado foi encaminhado para análise pericial por órgãos competentes.



Contexto científico e veterinário


O laboratório envolvido atua com agentes infecciosos de relevância animal, incluindo vírus com impacto em saúde pública e produção animal.


Casos como este reforçam a importância de:


  • Protocolos rígidos de biossegurança

  • Controle de acesso a agentes biológicos

  • Fiscalização em laboratórios de pesquisa


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