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Justiça proíbe compra de “cação” sem identificação e expõe comércio de carne de tubarão no Brasil


Uma decisão recente da Justiça Federal trouxe um novo marco para o controle da comercialização de carne de tubarão no Brasil. A partir de agora, o governo não poderá mais adquirir produtos vendidos sob o nome genérico “cação” sem a devida identificação da espécie e da origem.


A medida atinge diretamente um problema histórico do país: o uso do termo “cação” para comercializar diferentes espécies de tubarões e raias, muitas delas ameaçadas de extinção, sem qualquer transparência para o consumidor.



O que muda na prática


Com a decisão judicial:


  • O governo federal fica proibido de comprar “cação” sem identificação clara

  • Será obrigatória a rastreabilidade da espécie e da origem

  • Órgãos como Anvisa, Ibama e Ministério da Agricultura terão que criar mecanismos de controle

  • Há previsão de penalidades em caso de descumprimento


A medida vale principalmente para compras públicas federais, como merenda e abastecimento institucional, mas pode influenciar todo o mercado futuramente.



O problema do “cação”



No Brasil, “cação” não é uma espécie — é um nome genérico usado para vender carne de tubarões e raias.


Esse rótulo:


  • Esconde quais espécies estão sendo consumidas

  • Dificulta a fiscalização ambiental

  • Permite a comercialização de animais ameaçados

  • Impede decisões conscientes por parte dos consumidores


Segundo organizações ambientais, essa prática favorece a exploração descontrolada da fauna marinha.



Riscos à saúde


Além do impacto ambiental, a decisão também reconhece riscos sanitários.


Estudos citados no processo apontam que a carne de tubarão pode conter altos níveis de metais pesados, como:


  • Mercúrio

  • Arsênio

  • Chumbo

  • Cádmio


Essas substâncias podem causar danos à saúde, especialmente em gestantes, crianças e populações vulneráveis.



Impacto ambiental


Os tubarões têm papel essencial no equilíbrio dos oceanos. A captura indiscriminada pode gerar:


  • Desequilíbrio ecológico marinho

  • Redução de espécies predadoras-chave

  • Efeito cascata em toda a cadeia alimentar


A falta de rastreabilidade contribui diretamente para esse cenário, dificultando políticas de conservação.



Por que essa decisão é importante


A decisão é considerada um marco porque:


  • Reconhece oficialmente que o termo “cação” mascara problemas ambientais e sanitários

  • Obriga transparência na cadeia produtiva

  • Cria precedente para futuras regulações no setor

  • Pressiona o mercado a adotar práticas mais responsáveis


Apesar disso, não há proibição total da venda ou consumo — a medida ainda se limita às compras públicas federais.



O que pode acontecer agora


Especialistas apontam que o próximo passo pode incluir:


  • Ampliação da exigência de rotulagem no varejo

  • Maior fiscalização da pesca

  • Mudanças no comportamento do consumidor

  • Pressão por banimento de espécies ameaçadas



Conclusão


A decisão da Justiça Federal expõe um problema pouco discutido: o consumo de carne de tubarão disfarçado sob o nome “cação”.


Ao exigir identificação e rastreabilidade, o Brasil dá um passo importante para:


  • proteger a biodiversidade marinha

  • garantir segurança alimentar

  • aumentar a transparência no mercado


Mas o impacto real dependerá da fiscalização e da expansão dessas medidas para além das compras públicas.

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