CRMV-SP e CRF-SP alertam sobre uso de “canetas emagrecedoras” na prática veterinária
- Vet News
- 9 de mar.
- 2 min de leitura
O Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo e o Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo divulgaram uma nota técnica conjunta alertando profissionais sobre o uso de medicamentos popularmente conhecidos como “canetas emagrecedoras” na prática veterinária.
Segundo os conselhos, apesar de o médico veterinário possuir habilitação legal para prescrever medicamentos destinados a animais, não existem atualmente indicações formalmente aprovadas para uso veterinário de fármacos da classe dos agonistas do receptor do peptídeo-1 semelhante ao glucagon (GLP-1).
Além disso, as evidências científicas disponíveis sobre segurança e eficácia desses medicamentos em animais ainda são consideradas limitadas e restritas ao ambiente de pesquisa.
Classe de medicamentos citada na nota técnica
De acordo com regulamentação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, os principais princípios ativos classificados como agonistas do receptor GLP-1 incluem:
• semaglutida
• liraglutida
• dulaglutida
• tirzepatida
• lixisenatida
Esses medicamentos são utilizados principalmente no tratamento de diabetes tipo 2 e obesidade em humanos e passaram recentemente a ter controle sanitário mais rigoroso no Brasil.
Prescrição veterinária é permitida, mas exige cautela
A legislação brasileira permite que médicos veterinários prescrevam medicamentos para uso em animais quando julgado necessário dentro da prática clínica.
No entanto, o CRMV-SP ressalta que o uso dessa classe farmacológica ainda não faz parte da rotina da medicina veterinária, principalmente devido à ausência de estudos clínicos robustos que sustentem sua indicação formal para espécies animais.
Por esse motivo, eventuais prescrições devem considerar cuidadosamente os riscos potenciais, a responsabilidade técnica e a falta de evidências consolidadas sobre segurança e eficácia.
Farmacêuticos devem avaliar prescrições com atenção
Segundo o CRF-SP, farmácias e drogarias têm procurado orientação após receberem prescrições veterinárias contendo medicamentos dessa classe.
De acordo com as normas de Boas Práticas de Farmácia, o farmacêutico deve entrar em contato com o profissional prescritor sempre que houver dúvidas sobre a prescrição, garantindo que todas as informações estejam corretas antes da dispensação do medicamento.
Conselhos reforçam farmacovigilância
As duas instituições destacam que cada caso clínico deve ser analisado individualmente e que medicamentos sujeitos à retenção de receita exigem atenção adicional.
Os conselhos também reforçam a importância da farmacovigilância e da comunicação de possíveis irregularidades, permitindo investigação ética caso haja suspeita de uso inadequado.
O CRMV-SP informou ainda que sua Coordenadoria Técnica permanece disponível para esclarecimentos e discussões sobre o tema junto aos profissionais.
O que são agonistas de GLP-1
Os agonistas do receptor GLP-1 são medicamentos que atuam em receptores hormonais envolvidos no metabolismo da glicose e no controle do apetite. Em humanos, são amplamente utilizados no tratamento de diabetes tipo 2 e obesidade.
Até o momento, porém, não existe indicação veterinária oficialmente aprovada para o uso dessa classe de medicamentos em animais.
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Fonte: Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo e Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo.



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