Prevenção da Displasia coxofemoral em cães de grande porte exige manejo desde o crescimento
- Vet News
- 23 de mar.
- 2 min de leitura
A displasia coxofemoral é uma das principais doenças ortopédicas que acometem cães, especialmente de grande porte, sendo responsável por dor crônica, limitação de movimento e comprometimento significativo da qualidade de vida.

Caracterizada por uma incongruência entre a cabeça do fêmur e o acetábulo, a doença possui origem multifatorial, envolvendo fatores genéticos, nutricionais e ambientais.
Etiologia e fisiopatologia
A displasia coxofemoral é uma afecção de desenvolvimento, ou seja, os cães não nascem com a articulação deformada, mas desenvolvem a alteração ao longo do crescimento.

O processo ocorre da seguinte forma:
• frouxidão articular inicial (laxidade)
• instabilidade da articulação coxofemoral
• remodelação óssea inadequada
• desgaste da cartilagem articular
• evolução para osteoartrite
A progressão leva a dor, inflamação e degeneração articular crônica.
Raças predispostas
Embora possa ocorrer em qualquer cão, a doença é mais comum em raças de médio a grande porte, como:
• Labrador Retriever
• Pastor Alemão
• Golden Retriever
• Rottweiler
• São Bernardo
A predisposição genética tem papel central, o que reforça a importância da seleção reprodutiva responsável.
Principais fatores de risco
Além da genética, diversos fatores contribuem para o desenvolvimento e agravamento da doença:
Crescimento acelerado
Dietas hipercalóricas podem promover ganho de peso e crescimento ósseo desproporcional.
Excesso de peso
A sobrecarga mecânica nas articulações favorece a instabilidade e degeneração.
Exercícios inadequados
Atividades de alto impacto em filhotes (corridas intensas, saltos) aumentam o risco.
Desequilíbrios nutricionais
Excesso de cálcio e suplementação inadequada podem interferir na formação óssea.
Medidas preventivas
A prevenção é o principal pilar no controle da displasia coxofemoral, especialmente durante a fase de crescimento.
Nutrição adequada
• dietas específicas para raças grandes
• controle rigoroso de calorias
• evitar suplementação sem orientação veterinária
Controle de peso
Manter o escore corporal ideal reduz significativamente a sobrecarga articular.
Exercício controlado
• evitar impacto excessivo em filhotes
• priorizar atividades leves e regulares
• superfícies adequadas (evitar piso escorregadio)
Seleção genética
• evitar reprodução de animais afetados
• realização de exames radiográficos em reprodutores
Diagnóstico precoce
O diagnóstico pode ser realizado por meio de:
• exame clínico ortopédico
• avaliação da marcha
• testes de laxidade articular (ex.: Ortolani)
• exames de imagem (radiografia)
O diagnóstico precoce permite intervenções que podem retardar ou minimizar a progressão da doença.

Impacto clínico e manejo
Embora não tenha cura definitiva, a displasia pode ser manejada com:
• controle de peso
• fisioterapia
• uso de condroprotetores
• analgesia e anti-inflamatórios
• intervenções cirúrgicas em casos graves
O acompanhamento veterinário contínuo é essencial para garantir qualidade de vida ao animal.
Importância do médico-veterinário
O médico-veterinário tem papel fundamental em:
• orientar tutores desde a fase de filhote
• prevenir fatores de risco
• realizar diagnóstico precoce
• definir estratégias de manejo
A atuação preventiva é decisiva para reduzir a incidência e a gravidade da doença.



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