Pesquisadores resgatam projeto pioneiro de zoológico experimental idealizado na UFV na década de 1930
- Vet News
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Estudo revela que o zoólogo João Moojen propôs, ainda em 1933, um projeto inovador voltado ao manejo, à conservação da fauna e ao ensino científico, antecipando conceitos modernos de refaunação.

Fotos de alguns animais que já pertenciam à coleção da UFV na década de 1930
Em meio às comemorações do centenário da Universidade Federal de Viçosa (UFV), uma pesquisa histórica revelou um capítulo pouco conhecido da ciência brasileira. Pesquisadores da instituição resgataram documentos e fotografias que comprovam que, no início da década de 1930, o zoólogo João Moojen idealizou a criação de um Jardim Zoológico Experimental na então Escola Superior de Agricultura e Veterinária (ESAV), instituição que deu origem à UFV.
O estudo foi conduzido pelo professor Guilherme Garbino, do Departamento de Biologia Animal e coordenador do curso de Licenciatura em Ciências Biológicas, em parceria com duas estudantes de graduação. A pesquisa evidencia a contribuição de Moojen para a consolidação da Zoologia no Brasil e destaca o caráter inovador de sua proposta, que extrapolava a simples manutenção de animais em cativeiro.
Uma visão científica décadas à frente de seu tempo
Segundo os pesquisadores, João Moojen defendia uma abordagem diferenciada para a relação entre seres humanos e fauna silvestre. Em uma época em que os animais eram frequentemente vistos apenas sob a ótica econômica ou utilitária, o pesquisador reconhecia seu valor ecológico e científico.
O projeto do Jardim Zoológico Experimental previa não apenas a observação e o estudo das espécies, mas também iniciativas voltadas ao repovoamento de áreas que já apresentavam redução significativa da fauna nativa.
De acordo com o professor Guilherme Garbino, documentos históricos mostram que Moojen já alertava, em 1933, para o empobrecimento da fauna nas florestas da Zona da Mata Mineira, uma percepção considerada extremamente avançada para a época.
Essa proposta se aproxima do conceito contemporâneo de refaunação (rewilding), estratégia de conservação que busca restaurar ecossistemas por meio da reintrodução de espécies nativas. Embora esse conceito só tenha sido formalizado internacionalmente na década de 1980, a iniciativa idealizada por Moojen antecipava diversos de seus princípios ecológicos.
O zoológico não foi construído, mas deixou um importante legado
Embora o Jardim Zoológico Experimental nunca tenha sido efetivamente implantado, a pesquisa identificou evidências de que animais silvestres permaneceram sob cuidados da instituição até o final da década de 1940.
Além disso, João Moojen reuniu uma expressiva coleção científica de exemplares da fauna brasileira, que deu origem ao atual Museu de Zoologia da UFV, hoje reconhecido como um importante centro de pesquisa, ensino e preservação do patrimônio biológico nacional.
O museu abriga aproximadamente 25 mil espécimes, incluindo mamíferos, aves, répteis, anfíbios e fósseis. Grande parte desse acervo foi coletada pelo próprio pesquisador durante expedições científicas realizadas em diferentes regiões do Brasil.
Atualmente, além de apoiar atividades de graduação, pós-graduação e projetos de extensão, o espaço mantém exposições permanentes e temporárias abertas gratuitamente à comunidade, contribuindo para a divulgação científica e a educação ambiental.
Quem foi João Moojen?
Natural de Leopoldina (MG), João Moojen foi um dos mais importantes zoólogos brasileiros do século XX. Especialista em mamíferos, dedicou grande parte de sua carreira ao estudo de roedores e primatas da fauna nacional.
Sua relevância científica fez com que diversas espécies fossem nomeadas em sua homenagem, como a jararaca-do-cerrado (Bothrops moojeni) e o escorpião Bothriurus moojeni, perpetuando sua contribuição para a Zoologia brasileira.
Após sua passagem pela ESAV, Moojen também atuou no Museu Nacional, no Rio de Janeiro, onde ampliou significativamente as coleções zoológicas da instituição e consolidou seu reconhecimento na comunidade científica.
Importância para a Medicina Veterinária e a conservação da biodiversidade
O resgate histórico reforça como ideias relacionadas à conservação da biodiversidade, manejo de fauna silvestre e pesquisa zoológica já eram discutidas no Brasil décadas antes de se tornarem amplamente difundidas.
Para a Medicina Veterinária, iniciativas dessa natureza evidenciam a importância da integração entre pesquisa científica, conservação e saúde animal. Zoológicos, museus e coleções biológicas desempenham papel fundamental na formação de médicos-veterinários, biólogos e pesquisadores, além de contribuírem para estudos sobre biodiversidade, epidemiologia, bem-estar animal e conservação de espécies ameaçadas.
Ao recuperar esse projeto inédito, a pesquisa também valoriza a memória científica da UFV e destaca a influência de seus pioneiros na construção do conhecimento que sustenta, até hoje, as Ciências Biológicas e a Medicina Veterinária no Brasil.



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