Acordo entre Mercosul e União Europeia entra em vigor de forma provisória e pode transformar a pecuária brasileira
- Vet News
- 23 de mar.
- 2 min de leitura
A entrada em vigor provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, prevista para maio, marca um dos movimentos mais relevantes das últimas décadas para o agronegócio brasileiro — especialmente para a cadeia pecuária.

O tratado estabelece uma redução gradual de tarifas e ampliação de cotas de exportação para produtos agropecuários, incluindo carne bovina, carne de frango e derivados. A União Europeia, reconhecida por seu alto poder aquisitivo e rigor sanitário, representa um mercado estratégico para o Brasil.
Oportunidades para a pecuária brasileira
Com o acordo, o Brasil pode ampliar significativamente sua presença no mercado europeu, principalmente nos seguintes segmentos:
• carne bovina premium
• carne de frango
• produtos processados de origem animal
A tendência é de valorização dos produtos com maior nível de qualidade e certificação, o que pode aumentar a rentabilidade dos produtores que se adequarem às exigências.
Além disso, o acordo pode:
• estimular investimentos em tecnologia no campo
• aumentar a profissionalização da produção
• fortalecer a imagem do Brasil como exportador
Exigências sanitárias e ambientais mais rigorosas
Apesar das oportunidades, o acordo traz desafios importantes — especialmente relacionados à adequação aos padrões europeus.
Entre os principais pontos de atenção estão:
Sustentabilidade ambiental
A União Europeia exige garantias de que os produtos não estejam associados ao desmatamento ilegal. Isso inclui:
• monitoramento de áreas de produção
• comprovação de origem
• rastreabilidade da cadeia produtiva

Bem-estar animal
Normas mais rigorosas devem impactar diretamente o manejo nas propriedades, incluindo:
• condições de criação
• transporte dos animais
• práticas de abate
Controle sanitário
A exportação dependerá de alto nível de controle sanitário, incluindo:
• vigilância de doenças
• uso responsável de medicamentos veterinários
• controle de resíduos em produtos de origem animal
Impactos diretos na atuação veterinária
O acordo tende a ampliar significativamente o papel do médico-veterinário dentro da cadeia produtiva.
Entre as principais demandas:
• implementação de programas de biosseguridade
• certificações sanitárias e auditorias
• gestão de bem-estar animal
• controle de qualidade de produtos
O profissional passa a ser peça-chave não apenas na saúde animal, mas também na validação de processos produtivos.
Desafios para pequenos e médios produtores
Embora o acordo represente uma oportunidade macroeconômica, há preocupação com a capacidade de adaptação de pequenos produtores.
Os principais entraves incluem:
• custo de adequação às normas
• necessidade de tecnologia
• acesso limitado a certificações
Sem políticas de apoio, há risco de concentração do mercado em grandes produtores.

Competitividade global e pressão internacional
O acordo também insere o Brasil em um ambiente de maior competição global.
Além disso, aumenta a pressão internacional por:
• práticas sustentáveis
• transparência na produção
• responsabilidade socioambiental
Isso pode impactar diretamente a reputação do agronegócio brasileiro no exterior.
Perspectivas para o futuro
Especialistas apontam que o acordo pode acelerar uma transformação estrutural na pecuária brasileira, tornando o setor:
• mais tecnológico
• mais sustentável
• mais rastreável
• mais alinhado com padrões internacionais
A adaptação será determinante para definir quais produtores conseguirão se manter competitivos no novo cenário.



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