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Acordo entre Mercosul e União Europeia entra em vigor de forma provisória e pode transformar a pecuária brasileira

A entrada em vigor provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, prevista para maio, marca um dos movimentos mais relevantes das últimas décadas para o agronegócio brasileiro — especialmente para a cadeia pecuária.



O tratado estabelece uma redução gradual de tarifas e ampliação de cotas de exportação para produtos agropecuários, incluindo carne bovina, carne de frango e derivados. A União Europeia, reconhecida por seu alto poder aquisitivo e rigor sanitário, representa um mercado estratégico para o Brasil.


Oportunidades para a pecuária brasileira


Com o acordo, o Brasil pode ampliar significativamente sua presença no mercado europeu, principalmente nos seguintes segmentos:

• carne bovina premium

• carne de frango

• produtos processados de origem animal


A tendência é de valorização dos produtos com maior nível de qualidade e certificação, o que pode aumentar a rentabilidade dos produtores que se adequarem às exigências.


Além disso, o acordo pode:

• estimular investimentos em tecnologia no campo

• aumentar a profissionalização da produção

• fortalecer a imagem do Brasil como exportador


Exigências sanitárias e ambientais mais rigorosas


Apesar das oportunidades, o acordo traz desafios importantes — especialmente relacionados à adequação aos padrões europeus.


Entre os principais pontos de atenção estão:


Sustentabilidade ambiental


A União Europeia exige garantias de que os produtos não estejam associados ao desmatamento ilegal. Isso inclui:

• monitoramento de áreas de produção

• comprovação de origem

• rastreabilidade da cadeia produtiva

Bem-estar animal


Normas mais rigorosas devem impactar diretamente o manejo nas propriedades, incluindo:

• condições de criação

• transporte dos animais

• práticas de abate


Controle sanitário


A exportação dependerá de alto nível de controle sanitário, incluindo:

• vigilância de doenças

• uso responsável de medicamentos veterinários

• controle de resíduos em produtos de origem animal


Impactos diretos na atuação veterinária


O acordo tende a ampliar significativamente o papel do médico-veterinário dentro da cadeia produtiva.


Entre as principais demandas:

• implementação de programas de biosseguridade

• certificações sanitárias e auditorias

• gestão de bem-estar animal

• controle de qualidade de produtos


O profissional passa a ser peça-chave não apenas na saúde animal, mas também na validação de processos produtivos.


Desafios para pequenos e médios produtores


Embora o acordo represente uma oportunidade macroeconômica, há preocupação com a capacidade de adaptação de pequenos produtores.


Os principais entraves incluem:

• custo de adequação às normas

• necessidade de tecnologia

• acesso limitado a certificações


Sem políticas de apoio, há risco de concentração do mercado em grandes produtores.



Competitividade global e pressão internacional


O acordo também insere o Brasil em um ambiente de maior competição global.


Além disso, aumenta a pressão internacional por:

• práticas sustentáveis

• transparência na produção

• responsabilidade socioambiental


Isso pode impactar diretamente a reputação do agronegócio brasileiro no exterior.


Perspectivas para o futuro


Especialistas apontam que o acordo pode acelerar uma transformação estrutural na pecuária brasileira, tornando o setor:

• mais tecnológico

• mais sustentável

• mais rastreável

• mais alinhado com padrões internacionais


A adaptação será determinante para definir quais produtores conseguirão se manter competitivos no novo cenário.

 
 
 

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